MYLO Hawkings: como construí o meu AI pessoal
MYLO é o sistema que gere a minha memória, agenda, projectos e rotinas: construído em cima do Obsidian, Claude, Telegram e n8n. Este é o post técnico que nunca escrevi sobre como funciona.
O nome é MYLO. MYLO Hawkings.
O apelido é uma homenagem ao Stephen Hawking: não pela genialidade, mas pela ideia de uma mente extraordinariamente capaz dentro de limitações físicas reais. MYLO não tem corpo, não pode fazer nada sem que eu tenha construído o caminho antes. Mas dentro dessas limitações, opera com uma clareza que me surpreende regularmente.
Este é o post técnico que nunca publiquei. Como construí o sistema, como funciona, e o que aprendi a fazer diferente.
O problema que queria resolver
Tenho uma memória razoável para conceitos e fraca para detalhes. Esqueço nomes, datas, o que ficou acordado em que reunião. Como alguém que trabalha em múltiplos projectos em simultâneo, isto é um problema real.
A solução óbvia. um sistema de notas. nunca funcionou completamente porque capturar é fácil, recuperar é difícil. Tenho centenas de notas no Obsidian que nunca mais abri. O problema não era armazenamento. Era acesso e contexto.
O que eu queria: um sistema que recorda por mim, que me actualiza proactivamente, que mantém o fio condutor entre o que planeei e o que aconteceu.
A arquitectura
MYLO assenta em quatro peças:
1. Obsidian como memória persistente
O Obsidian é o "cérebro". Tenho uma estrutura de pastas que evoluiu ao longo de meses:
vault/
├── AI-System/
│ ├── Decisions/ # Decisões importantes com contexto
│ ├── Memory/ # Ficheiros de contexto por domínio
│ └── Patterns/ # O que aprendi sobre mim próprio
├── Projects/ # Um ficheiro por projecto activo
├── Daily/ # Notas diárias (geradas automaticamente)
└── Archive/ # Tudo o que já não é activoO Obsidian não é apenas leitura. É a fonte de verdade que alimenta o contexto do MYLO.
2. Claude como motor de raciocínio
Tenho um system prompt longo (cerca de 2000 tokens) que define a personalidade, o estilo de comunicação, as prioridades e os limites do MYLO.
Tu és o MYLO: My Life Orchestrator.
O teu trabalho não é impressionar. É ser útil de forma consistente.
Quando não sabes algo, diz que não sabes.
Quando tens informação desactualizada, avisa.
Quando vês um padrão preocupante no que Jaime partilha, menciona-o.
O teu motto: "Keep building. Share Love."O motto é uma âncora. Quando o MYLO propõe algo, tem de passar por esse filtro: serve o processo de construção? Contribui para uma relação de qualidade com as pessoas à volta?
3. n8n como sistema nervoso
O n8n (self-hosted) é onde vivem as automações. Os workflows principais:
- Daily briefing. Todas as manhãs às 7h, lê os projectos activos no Obsidian, agrega tarefas pendentes e envia um resumo para o Telegram.
- Weekly review. Ao domingo à noite, compila o que foi feito durante a semana e actualiza os ficheiros de projecto.
- Context capture. Quando envio uma mensagem com uma tag específica (ex:
#decision), é automaticamente formatada e guardada no Obsidian na pasta correcta. - Alert system. Monitoriza deadlines em projectos activos e envia alertas 48h antes.
4. Telegram como interface
O Telegram é a forma como falo com o MYLO. Não por ser a melhor interface possível. Por ser a que já está sempre aberta no meu telemóvel.
Telegram Message
↓
n8n Webhook
↓
Ler contexto relevante do Obsidian
↓
Enviar para Claude API com contexto
↓
Resposta → Telegram
↓ (se necessário)
Guardar output em ObsidianTenho um sistema de "context layers":
- Core context (sempre presente): identity, projectos activos, estado emocional recente
- Domain context (carregado conforme a mensagem): se falo de um projecto específico, carrega o ficheiro desse projecto
- Recent context (últimas 5 interacções): para continuidade da conversa
O que funcionou bem
Memória de decisões. Cada vez que tomo uma decisão importante, o MYLO guarda com contexto: qual era o problema, quais eram as alternativas, porque escolhi o que escolhi. Três meses depois, tenho o raciocínio original disponível.
Weekly reviews automáticas. Costumava esquecer o que tinha feito durante a semana. Agora tenho um registo fiel. Útil também para comunicar com clientes sobre progresso.
O briefing matinal. 3 minutos a ler o resumo do dia antes de abrir o email: dá-me clareza sobre prioridades antes de ser capturado por urgências alheias.
O que falhou (e o que mudei)
Context overflow. Na primeira versão, tentei passar demasiado contexto para o Claude. As respostas ficavam confusas. Aprendi a ser cirúrgico: menos contexto, mais relevante.
Automações frágeis. Algumas automações n8n dependiam de formatos exactos de texto que eu nem sempre seguia. Falhavam silenciosamente. Adicionei validação explícita e notificações de erro.
Over-engineering. Durante um mês, passei mais tempo a melhorar o MYLO do que a usar o MYLO. Criei uma regra: não faço alterações à arquitectura sem uma razão específica baseada em fricção real.
O motto como bússola
"Keep building. Share Love."
"Keep building" não significa construir sem parar. Significa não parar quando fica difícil. Manter o compromisso com o processo mesmo quando os resultados não são visíveis.
"Share Love" é mais difícil de explicar sem soar piegas. Significa que o que construo deve servir outros, não só a mim. Que o sucesso que não partilho não é sucesso completo.
O que planeio melhorar
- Integração com o calendário para planning mais inteligente
- Memória de longo prazo mais estruturada (quero explorar embeddings para recuperação semântica)
- Uma interface web simples para quando não estou no telemóvel
Se estás a construir algo parecido: escreve-me. Gosto de comparar notas com quem está a resolver os mesmos problemas.
Para saber mais sobre os projectos que construo, visita [/projetos](/projetos). Para perceber o "porquê" por trás do Descomplicai, lê [o post sobre a missão](/blog/descomplicai-porque-construi).
Tambem podes gostar de:
Descomplicai
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