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Jaime Silva··5 min de leitura·co-escrito com IA

173 projetos em 2 meses com IA: o que aprendi

Como passei de 1 projecto por semana para 173 em 2 meses usando Claude e Gemini. O processo real, o que funcionou, o que rebentou, e porque não me arrependo de nenhum.


Há dois meses, sentei-me a contar o que tinha construído desde que comecei a usar IA a sério. Cheguei ao 173 e parei de contar.

Não 173 produtos lançados. Não 173 clientes. Cento e setenta e três iterações: protótipos, automações, scripts, páginas, pipelines, bots, ferramentas internas, artigos, sistemas de memória. Muitos funcionaram. Muitos rebentaram. Alguns ainda estão vivos e a gerar valor. A maioria foi descartada depois de 40 minutos de trabalho.

Foi exactamente assim que devia ser.

Como começou

Tinha demasiadas ideias e pouco tempo para as executar. Um bloco de notas com projectos que nunca saíam do papel: não por falta de vontade, mas porque o custo de começar era alto. Precisava de configurar um ambiente, escrever o boilerplate, lidar com a fricção técnica antes sequer de chegar à ideia.

Quando percebi que o Claude conseguia fazer a parte de arranque por mim. scaffolding, estrutura inicial, primeiras 50 linhas. o custo de começar baixou para quase zero. Deixei de ter desculpas para não explorar uma ideia.

O stack

Claude (Anthropic): raciocínio, arquitectura, escrita longa, revisão crítica. É o parceiro com quem penso em voz alta. Peço-lhe para me contradizer, para encontrar os furos no plano, para reescrever o que eu escrevi mas pior. Confio mais no Claude para decisões de design e para texto que vai para público.

Gemini (Google): velocidade e contexto longo. Quando preciso de processar um documento enorme, fazer research rápida ou correr múltiplas variantes em paralelo, o Gemini é mais rápido. Uso-o muito para tarefas de processamento intensivo onde a nuance é menos crítica.

O n8n (self-hosted) é a cola que liga tudo: automações de email parsing a actualização do Obsidian, de alertas Telegram a relatórios semanais.

O processo real

Cada "projecto" segue este ciclo:

  • Ideia (2 min). Escrevo uma frase. "Quero um bot que me avise quando um cliente novo preenche o formulário de contacto e já agenda uma resposta automática."
  • Viabilidade (5 min). Pergunto ao Claude: "Isto faz sentido? Há uma forma mais simples? Que pode correr mal?"
  • Protótipo (20-40 min). Construo a versão mais simples possível. A pergunta não é "está bom?". É "funciona?"
  • Decisão (5 min). Vai para produção, fica em pausa, ou é descartado. Sem drama.

O que mudou foi eliminar o estado de "isto pode ser melhor" como razão para não avançar.

O que funcionou

Automações pequenas com impacto imediato. Um script que formata propostas comerciais em PDF. Uma automação que publica no blog a partir de um ficheiro Markdown. Um bot Telegram com o resumo da minha semana.

Usar IA para revisão, não só para geração. A parte mais valiosa não foi pedir ao Claude que escrevesse por mim. Foi pedir-lhe que lesse o que eu já tinha escrito e me dissesse o que estava fraco. Aprendi mais sobre comunicação nesses dois meses do que nos dois anos anteriores.

Documentar enquanto construo. O MYLO guarda o contexto de cada projecto. Posso voltar a qualquer coisa três semanas depois e perceber imediatamente o estado, as decisões tomadas, os próximos passos.

O que falhou

Excesso de ambição no protótipo. As piores iterações foram as que tentei fazer demasiado de uma vez. O sistema que ia integrar três APIs, ter uma UI e resolver um problema complexo num único sprint. Esses rebentaram todos.

Confiar demasiado na primeira proposta do modelo. O Claude gera código que parece razoável mas pode ter um bug subtil que só aparece em edge cases. Testo sempre antes de me comprometer.

Não saber dizer não a ideias. Tive semanas em que produzi muito e avancei pouco. Estava a fazer coisas interessantes em vez de coisas importantes.

O que realmente mudou

O número 173 não é um troféu. É uma nota de rodapé.

O que mudou foi a relação com as ideias. Antes, uma ideia não executada ficava como um peso. Agora sei que posso explorar qualquer coisa em menos de uma hora e perceber se vale continuar. A maioria não vale. Tudo bem. A exploração rápida é valiosa por si mesma.

Há um conceito que uso muito: "build to learn, not build to ship". A maioria dos 173 nunca foi para público. Mas ensinaram-me imenso sobre o que os utilizadores querem, sobre o que é tecnicamente possível, sobre onde estão os limites do que consigo fazer sozinho.

O que vem a seguir

Estou a focar-me em profundidade, não em volume. Os projectos que sobreviveram: o Descomplicai, o MYLO, algumas automações para clientes. Esses merecem atenção real.

A IA não tornou o trabalho fácil. Tornou-o diferente. O trabalho difícil continua difícil: perceber o que construir, falar com utilizadores, decidir com informação incompleta. O que a IA fez foi tirar do caminho a parte mecânica para que eu chegue mais depressa ao trabalho que realmente importa.

E 173 projectos depois, ainda estou a aprender.


Se quiseres ver alguns destes projectos ao vivo, visita [/projetos](/projetos). Se tiveres curiosidade sobre o processo de construção em detalhe, escrevo sobre isso regularmente aqui no blog.

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Descomplicai

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